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EDITORIAL: FALANDO SOBRE PREVENÇÃO E CONSCIENTIZAÇÃO

A eletricidade é um bem precioso. Não nos imaginamos vivendo sem ela. Porém, a utilização desse precioso bem deve ser feita com o cuidado necessário para que ninguém venha a sofrer lesões decorrentes do uso indevido, tais como choques elétricos, queimaduras etc. Choques elétricos em humanos ocorrem quando estes se tornam parte de um circuito elétrico. Vejamos alguns exemplos:

Uma pessoa está em contato com o solo e toca em algo energizado (um motor, um chuveiro, uma resistência, um fio descascado, a parte metálica de uma lâmpada, etc). A energia elétrica vai escoar para o solo por meio do corpo da pessoa, que dizemos, estará aterrando o circuito. A essa passagem de energia denominamos choque elétrico fase-terra. Também pode ocorrer choque elétrico se a pessoa entra em contato com dois fios de fases diferentes. Nesse caso, independente se está em contato com o solo ou não, haverá a passagem de energia elétrica pelo corpo, constituindo-se num choque elétrico entre fases. A energia elétrica entra em contato com o corpo e daí se descarrega para a terra. Também pode ocorrer quando um corpo fecha contato entre duas fases diferentes.

A passagem de energia elétrica pelo corpo de uma pessoa gera calor e contrações musculares. Esses efeitos são responsáveis pelas queimaduras e paradas cardíacas, sempre presentes na maioria dos choques elétricos. No choque elétrico são envolvidas diretamente 4 grandezas: o tempo de contato, as condições de contato da pessoa com o solo, a resistência ôhmica do corpo e a intensidade da corrente elétrica que circulará.

Os acidentes de origem elétrica podem ocorrer se:
A vítima tocar em instalações energizadas (tensão de toque);
Se a vítima estiver caminhando na direção de onde haja um fio caído ao solo (tensão de passo);
Se a vítima adentrar ao campo elétrico que é formado externamente às instalações energizadas (como referência, para cada 1.000 Volts é necessário 1 cm de ar para que possa haver o isolamento. Sob certas condições, essa distância pode até ser aumentada, o que justifica dizer que jamais as pessoas leigas devem se aproximar de condutores elétricos sem saberem realmente o que estão fazendo!)

Para uma convivência segura e tranqüila com instalações elétricas, boas e velhas dicas devem ser relembradas.
1. Plugue e use os dispositivos elétricos de segurança disponíveis como, por exemplo, a tomada de 3 pinos.
2. Considere todo fio elétrico como "vivo", ou seja, passível de provocar um choque mortal.
3. Cheque o estado de todos os fios e dispositivos elétricos; conserte-os ou substitua-os, se necessário. Procure um profissional habilitado para dimensionar o fio para interligar os equipamentos elétrico.
4. Certifique-se de que a corrente está desligada, antes de operar em uma instalação elétrica.
5. Se um circuito elétrico em carga tiver de ser reparado, chame um eletricista qualificado para fazê-lo. Na grande São Paulo e em Belo Horizonte já existe um cadastro de eletricistas cadastrados e treinados pelo SENAI, clique aqui e veja a relação.
6. Use ferramentas "isoladas" com "dupla isolação", que fornecem uma barreira adicional entre você e a corrente elétrica.
7. Use os fios recomendados para o tipo de serviço elétrico a que ele vai servir.
8. Não sobrecarregue uma única tomada com vários aparelhos elétricos, usando, por exemplo, o "benjamin".
9. Cuidado ao substituir a resistência queimada do seu chuveiro, pois o ambiente molhado aumenta o choque.

Dentro de casa e edificações de lazer e recreação e atividades administrativas:
· Só mexer com instalações elétricas se tiver conhecimento e habilitação para isso;
· Não permita instalações elétricas mal feitas, mal emendadas ou inadequadas. A prática mostra que isso está profundamente relacionado com os casos de acidentes, mortes e incêndios;
· Não sobrecarregar as fiações, fazendo com que passe por elas maior corrente elétrica do que está capacitada. Caso isso aconteça, a fiação começará a aquecer e pode ocorrer envelhecimento precoce do isolamento e riscos de incêndio;
· Ao sair em viagens, retire da tomada todos os fios de equipamentos não essenciais. Especial cuidado com ferros elétricos, ar condicionado e aquecedores;
· Ao construir ou reformar edificações, procurar colocar tomadas e interruptores em locais de difícil acesso às crianças. Caso isso não seja possível, adote o uso de protetores isolantes nas tomadas;
· Não permita que crianças ou outras pessoas efetuem cortes com tesoura ou derrubem objetos metálicos nas fiações elétricas, pois isso resulta em curto-circuito;
· Mantenha seus dispositivos de proteção elétrica sempre em dia e em perfeitas condições de funcionamento. Esses dispositivos, devem desarmar sozinhos mediante condições de sobrecarga na instalação;
· Atualmente há disponível no mercado, dispositivos de proteção chamados de DR - Diferencial Residual, que evitam choques elétricos quando pessoas entram em contato com partes vivas da instalação e devem ser instalados obrigatoriamente nas instalações elétricas;

Nas indústrias urbanas e rurais, fábricas, oficinas, comércios e demais atividades correlatas:
· Não permita que serviços em instalações elétricas sejam feitos por pessoas não capacitadas e/ou não qualificadas, conforme prescreve a NR-10 Norma Regulamentadora sobre Serviços e Instalações em Eletricidade;
· Exigir que as instalações elétricas que forem construídas ou reformadas estejam atendendo os critérios prescritos na NBR-5410;
· Exigir que prestadores de serviços de projeto, construção e manutenção de instalações elétricas emitam a necessária ART - Anotação de Responsabilidade Técnica, perante os órgãos e entidades fiscalizadoras.
· Zelar para que serviços executados em vias urbanas, fachadas, paredes, etc, não sejam feitos próximos da rede elétrica, de forma a evitar que esses trabalhadores venham a entrar em contato com a rede elétrica aérea e, com isso, se exponham a risco de vida, que é de responsabilidade de quem o contratou;
· Manter sempre em local de conhecimento de principais pessoas, os esquemas unifilares da fiação, locais onde estão as proteções e onde deve haver desligamento manual em caso de emergências, tais como choque elétrico, incêndio, etc.

Mas, se aconteceu o acidente, veja os cuidados ao socorrer vítima de choque elétrico:
· Para socorrer, é importante que o socorrista não se transforme numa próxima vítima, o que é muito comum em acidentes envolvendo eletricidade. Para prestar um socorro adequado, ou reduzir as lesões e danos pessoais, primeiramente deve ser interrompido o fornecimento de energia às instalações com as quais a vítima está em contato. Isso pode ser feito com o desligamento de disjuntor, chave geral etc.
· Tendo certeza que a vítima já não está mais energizada, remova os fios de perto dela usando utensílios isolantes e secos, tais como cabos de vassoura de madeira, cordas, tábuas. Importante que esse material seja isolante elétrico. · Estando a vítima em condições de receber assistência e não havendo risco para os socorristas, estes devem verificar se há respiração e pulsação na vítima. A partir desse ponto o socorro deve ser feito de preferência por pessoas que tenham conhecimento e iniciativa para aplicação dos mesmos.
· Havendo parada cardíaca, será notada a ausência de pulsação e batimentos cardíacos, bem como o aumento da pupila (menina dos olhos). Nesse caso deve-se imediatamente efetuar a massagem cardíaca, através de compressões sobre o peito, na região inferior do osso externo, na velocidade de uma compressão por segundo.
· Havendo parada respiratória, será notada a ausência da entrada e saída de ar ao pulmão da vítima. Nesse caso é imperativo que se inicie imediatamente a insuflação de ar fresco nos pulmões da vítima, com o método de respiração artificial, na velocidade de 2 insuflações a cada 5 segundos.

Essas medidas devem ser aplicadas à vítima, que deve estar deitada de costas e sobre superfície plana e rígida. Enquanto essas medidas são aplicadas, deve-se buscar atendimento médico urgente, mesmo que a vítima recobre os sentidos após os primeiros tratamentos no local. Há notícias de pessoas que ficaram por mais de uma hora sendo assistida por socorristas nessa situação e posteriormente foram adequadamente atendidas e conseguiram sobreviver.
É um tipo de socorro que exige persistência e conhecimento, não só para manter a vítima em condições de ser efetivamente salva, quanto para não agravar seu estado físico decorrentes das lesões outras, tais como fraturas de coluna, bacia, fraturas expostas, hemorragias, queimaduras etc.