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Informativo ABRACOPEL - Ano 2 - n.º 21 - Segunda-feira, 26 de junho de 2006.

Editorial: O PERIGO EM INOCENTES SECADORES DE MÃOS E DE CABELOS



Um e-mail está circulando pela Internet mostrando o perigo da eletricidade, aliando choque elétrico e queimaduras. Em um relato de um choque elétrico causado por um secador de mãos, destes que estão em banheiros de shopping centers, uma criança ao utilizar este tipo de secador encostou sua mão nas partes metálicas e sofreu um choque elétrico. Além do choque que o deixou grudado por alguns segundos (já que graças a uma pessoa que conseguiu retirar o plugue da tomada, o mal não foi maior), o calor também contribuiu para a gravidade do acidente. Segundo depoimentos citados no e-mail, alguns destes secadores não possuem isolamento apropriado e colocam a vida das pessoas em risco. Este assunto deverá servir de alerta para os usuários, mas principalmente, para quem compra e quem fabrica este tipo de produto e que deve seguir e exigir que as normas sejam cumpridas à risca como é o caso da norma NBRNM-IEC 60335-2-23 que trata de Segurança de aparelhos eletrodomésticos e similares - Parte 2-23: Requisitos particulares para aparelhos para cuidados da pele ou cabelo.

Este mesmo exemplo deve ser seguido na aquisição de aparelhos eletrodomésticos, como o caso de um secador de cabelo. Estes produtos devem ter a categoria de isolamento classe II ou III, como determina a norma técnica citada anteriormente, e deve conter indicações de que eles não podem ser usados em locais que não acumulem água, como uma banheira, por exemplo.

Navegando pelo site do INMETRO, encontramos um ensaio em secadores de cabelo realizado em 2001, que mostra que 50% das 12 marcas avaliadas na época estavam não conformes em relação ao risco de choque elétrico.

A ABRACOPEL existe para conscientizar as pessoas para que mudem seus conceitos em relação à compra de um produto somente pelo preço, mas que busquem a qualidade e segurança de cada componente e produto elétrico. As normas existem para garantir qualidade e segurança aos usuários e se não forem seguidas podem causar acidentes de proporções quase sempre gravíssimas.

Boa leitura a todos.
Eng.º Edson Martinho
Presidente


A NORMA DE ATERRAMENTO ELÉTRICO – Por Jobson Modena

Como sabemos o aterramento é um dos mais importantes itens quando se trata da segurança em uma instalação elétrica. É através dele que a corrente elétrica flui ao retornar para a fonte quando ocorre um curto-circuito, quando um elemento metálico corretamente eqüipotencializado é indevidamente energizado.
Na maioria das vezes - por ser mal projetado e instalado - o eletrodo de aterramento, que pode ser um anel condutor enterrado ao redor da estrutura, uma malha com módulos de diferentes tamanhos ou mesmo as ferragens das fundações, acaba sendo o grande vilão da história quando ocorre algum acidente.
Com o intuito de revisar alguns textos técnicos, normalizados ou não, que tratam sobre o assunto: “aterramento elétrico”, foi criada, no final de 2004, a comissão de estudos CE-102.01 no Comitê Brasileiro de Eletricidade – COBEI.

Ao criar esta norma a CE não tem o objetivo de alterar conceitos já existentes nas principais normas vigentes e em constante atualização como é o caso da NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão, da NBR 5419:2005 – Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas (em revisão) ou da NBR 14039: 2004 - Instalações elétricas de média tensão, mas sim tratar de assuntos mais específicos e particularizados da área e que vêm há muito tempo necessitando de atenção. Alguns desses assuntos já fazem parte de normas publicadas, como é o caso da NBR 7117: 1981 – Medição da resistividade do solo pelo método dos quatro pontos (Wenner), outros estão há mais de dez anos na fase de projeto de norma e, portanto ainda não publicados. Além disso, visando a padronização de conteúdo e terminologia, há uma diretriz do COBEI no sentido de que todas as normas projetadas ou revisadas sigam da forma mais fiel possível os textos de norma publicados pela Comissão Internacional de Eletricidade – IEC. Quando a mesma não tratar do assunto então se deve procurar a norma considerada “de excelência”, caso da IEEE-80, muito utilizada nesse trabalho.

Por ser um tema muito extenso e complexo, os assuntos foram divididos em cinco partes e cada uma delas foi atribuída a um subgrupo, chamado grupo de trabalho – GT, da CE.
Esclarecemos que os nomes dos GTs e os assuntos por eles tratados não expressam, pelo menos ainda, o nome oficial da norma ou capítulo do compêndio que será publicado.

Divisão dos assuntos:

GT-1: Materiais a serem utilizados nos eletrodos de aterramentos;
GT-2: Ensaios nos eletrodos de aterramento com o sistema energizado e/ou desenergizado;
GT-3: Aterramento para sistemas de distribuição;
GT-4: Medição da resistividade e determinação da estratificação do solo;
GT-5: Sistema de aterramento de subestações - Critérios e procedimentos.

Prazos:

Todos os textos estão em fase final de revisão e deverão ser encaminhados para a coordenação geral da CE até o meio do segundo semestre, quando deverão ser compilados e transformados em projeto de norma. Este projeto, provavelmente, ficará disponível na ABNT para apreciação e votação pública por aproximadamente 3 meses, retornando a CE para análise dos votos.

Considerando o tempo apresentado esperamos ter publicado um ou mais textos de norma sobre aterramento elétrico em 2007.
Como pudemos notar existe um grande trabalho sendo executado no sentido de normalizar, e assim dar subsídios à comunidade técnica brasileira para projetar, instalar, fiscalizar e ensaiar o eletrodo ou sistema de aterramento e assim torná-lo “menos culpado” por todas as mazelas que acontecem em uma instalação elétrica.

Brevemente esperamos trazer mais novidades.


RAIO ATINGE E MATA ALUNO DO CIABA (BELÉM,PA) - 12/06/2006 - 20h37m

Um aluno do Ciaba (Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar) foi atingido por um raio na tarde do dia 12 e faleceu dentro da instituição militar, localizada na Rodovia Arthur Bernardes, no bairro do Telégrafo, em Belém. Thiago Rabelo Lima era aluno do terceiro ano do curso de Náutica da Escola de Formação dos Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM).
Segundo informações do comandante Mário Rodrigues da Costa Filho, um grupo de 312 alunos estava no pátio interno da EFOMM, no início da tarde. Eles organizavam as ações que seriam realizadas ao longo do dia.
Ainda segundo o comandante, um forte estrondo causado por um raio foi ouvido quando o grupo de alunos recebia cumprimentos por apresentações e atividades no final de semana.
Neste momento, o grupo se dispersou e dois alunos caíram ao chão. Foi chamado então o médico e o enfermeiro de plantão do Ciaba e acionado o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e o Hospital Naval de Belém.
O raio atingiu uma árvore próxima e a descarga elétrica causou a parada cardio-respiratória em dois alunos. Gisele Sousa de Siqueira, do 3º ano do curso de Máquinas da Escola de Formação dos Oficiais da Marinha Mercante foi reanimada e transferida para a UTI do Hospital Naval de Belém e, segundo nota divulgada pelo Ciaba para a imprensa, não corre risco de morte.

Já Thiago Rabelo chegou a ser reanimado por um momento, mas teve nova parada cardio-respiratória, dessa vez irreversível e fatal, por volta das 15 horas.
Segundo avaliação inicial do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte parece mesmo ter sido causada por descarga elétrica, mas somente a perícia poderá confirmar a causa da morte.
O Comando Militar determinou que se instaure Inquérito Policial Militar para apurar as causas da morte, ação obrigatória em caso de falecimento de qualquer pessoa dentro do âmbito militar.


INCÊNDIO NA SEDE DO INSS FOI CONSEQUËNCIA DAS CONDIÇÕES PRECÁRIAS DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Laudo pericial aponta que incêndio começou com curto-circuito em impressora e se alastrou devido a uma seqüência de falhas, humanas e de equipamentos.
O laudo pericial do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal sobre o incêndio que acometeu o edifício sede do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Setor de Autarquias Sul, conclui que a ocorrência que atingiu seis dos dez andares da edificação, em 27 de dezembro do ano passado, foi acidental, afastando assim a possibilidade de incêndio criminoso. Ninguém ficou ferido.

Uma equipe de dez peritos apontou ainda que a rede elétrica estava sobrecarregada e faltava equipamentos básicos de segurança, como estabilizadores para computadores e impressoras.
O documento da CBMDF confirmou as análises iniciais de que o fogo foi provocado por um curto-circuito no sistema elétrico, iniciado em uma impressora.
Entre as falhas que culminaram na ocorrência de grandes proporções e na rápida propagação do fogo, o laudo destaca os equívocos do sistema preventivo, a demora no acionamento dos bombeiros, falta de água na reserva técnica de incêndio do edifício, hidrantes de parede que não funcionavam, falta de extintores, grande oferta de materiais inflamáveis (papel, madeira e divisórias) e difícil acesso das viaturas do Corpo de Bombeiros.

O incêndio começou por volta das 7 horas e só foi controlado por volta das 10h30. Cerca de 30 funcionários da limpeza e segurança estavam no prédio quando se iniciou e ouviram uma explosão oriunda do sétimo andar, onde funcionava o departamento de contabilidade e finanças da Previdência. Os agentes da segurança tentaram impedir o avanço das chamas, mas o trabalho foi em vão. Mesmo os bombeiros tiveram dificuldades para combater o fogo, visto que os equipamentos instalados no interior das edificações, que tem cerca de 40 anos, eram muito antigos. As mangueiras, por exemplo, não tinham pressão suficiente e alguns extintores estavam inoperantes. Além da edificação não contar com os sprinklers, “chuveirinhos” que são acionados automaticamente quando ocorre um foco de calor.

A temperatura no interior do prédio atingiu cerca de 800 graus. O corpo de Bombeiros contou com 30 homens e 45 viaturas que trabalharam no local. Os oficiais lamentaram as condições precárias dos equipamentos, o que impediu a agilidade nos trabalhos.

O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, que também investiga a falta da manutenção elétrica do prédio, constatou que a edificação não possuía o “habite-se” nem efetuava a conservação de aparelhos de ar-condicionado. Investigações sobre o maior incêndio registrado no Distrito Federal nos últimos dez anos apontam para um conjunto de falhas na conservação do prédio. O Conselho criticou a ausência de “habite-se”, confirmado pela Administração Regional de Brasília, responsável pela expedição do documento. A ausência de tão importante documento significa que não foram efetuadas vistorias imprescindíveis que atestassem as condições de segurança da edificação. O documento é expedido após vistorias do Corpo de Bombeiros e da Companhia Energética de Brasília (CEB), por exemplo. Fonte: Revista Incêndio (CIPA, Nº 40).

FOGO EM UMA SIDERÚRGICA

Um incêndio, ontem à tarde, provocou pânico e apreensão entre os funcionários de uma siderúrgica, em Minas Gerais. Por volta das 13h, empregados da empresa faziam a religação de uma chave elétrica, que provocou curto circuito. O fogo queimou um transformador e a sala elétrica que abastece a Linha de Tesouras nº 2 de Chapas Grossas, na Usina. Quatro operários sofreram princípio de intoxicação com a fumaça e foram atendidos no Hospital da região.